Análise da Resolução de Conselho de Ministros Nº 21/2002, de 31 de Janeiro

Legenda

Os comentários de Rui Miguel Seabra têm o prefixo 'rms', e são da sua inteira responsabilidade. Os comentários de Lopo de Almeida têm o prefixo 'lopo', e são da sua inteira responsabilidade.

O conteúdo da resolução está em texto normal, os itálicos são partes evidenciadas e não pertencentes à redacção original.

A Resolução

Está disponível em http://www.adm.ua.pt/legua/Aquisicoes/RCM21_2002.htm e dita o seguinte:

1) As direcções-gerais e serviços equiparados, os institutos públicos nas suas diversas modalidades e as empresas públicas devem adoptar planos de gestão da aquisição, uso e actualização de programas de computador, por forma a assegurar, designadamente:

rms: Primeiro erro: o software não tem licença de uso, mas sim licença de representação da obra (Artigo 111º do CódigoDoDireitoDeAutorEDosDireitosConexos) o que por assim dizer, é uma autorização de posse da cópia.

rms: Segundo erro: o que são os sistemas abertos? Os programas eEurope 2000 e eEurope 2002 falam de opensource, mas por erros de tradução e excessos de simplificação chegamos a este termo, que não tem nada a ver seja com opensource ou com Software Livre.

rms: Como se lê em OpenSystemStandards:

In short, an open system standard is an interface specification - a specification that describes services provided by a software product - to which any vendor can build products. There are two important points. First, the specification is available to any vendor and evolves through a consensus process that is open to the entire industry. Second, the specification defines only an interface, so different vendors can provide the standard interface on their proprietary operating systems.

Em suma, um standard de sistemas abertos é uma especificação de interfaces - uma especificação que descreve serviços disponibilizados por um produto de software - sobre a qual qualquer fornecedor pode fazer produtos. Há dois pontos importantes. Primeiro, a especificação está disponível para qualquer fornecedor e evolui num processo consensual que está aberto à indústria inteira. Segundo, a especificação define apenas um interface, de forma a que fornecedores diferentes possam disponibilizar o interface standard nos seus sistemas proprietários.

rms: Não admira então que a UMIC actual defenda tão bem uma Resolução de um Conselho de Ministros de um Governo que lhe é ideologicamente oposto. Numa possível interpretação desta Resolução, não será possível utilizar na Administração Pública nem Software Livre nem software opensource.

lopo: Talvez esta resolução tenha algo a vêr com o facto do Sr. José Luís Arnaut ter sido Presidente da ACPI e ser agora Ministro Adjunto do Primeiro Ministro como se pode lêr nestes dois links: Jornal do INPI Dados pessoais

(...) a ACPI tem um papel de interlocutor privilegiado com o Governo e a Assembleia da República, ou seja, com as autoridades legislativas, e com o próprio INPI, defendendo nas suas posições, os interesses da classe profissional dos agentes oficiais e também os interesses dos utentes da propriedade industrial em geral. A ACPI acompanha, nas instâncias e nos eventos respectivos, todas as actividades e assuntos respeitantes à propriedade industrial colaborando activamente na tomada de decisões ao nível da legislação da propriedade industrial.

lopo: Melhor lobby do que isto é impossível para os defensores da Propriedade Industrial. O que não quer dizer que a pessoa em causa seja desonesta mas que, naturalmente e até porventura inconsciente de alguma incompatibilidade ética, defenderá os príncipios em que acredita. ;)

2) No tocante à utilização pela Administração Pública de sistemas abertos de software, os serviços dão cumprimento aos objectivos inscritos no plano de acção eEurope 2002.

3) Os núcleos para a sociedade da informação existentes em cada ministério são informados de todas as medidas adoptadas em cumprimento da presente resolução.

SoftwareLivreNaAdministraçãoPúblicaAnaliseResolucaoCM (last edited 2004-03-16 16:50:37 by a81-84-129-69)